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segunda-feira, junho 09, 2008

Velhice

(Trecho da entrevista de Philip Roth ao 'El País', publicada na FSP)


PERGUNTA - Enfrentar a velhice -essa é sua obsessão em seus últimos romances e memórias. Não está sendo fácil?

ROTH - Escrevo sobre isso. O exorcizo. Isso me faz bem. Envelhecer é uma mudança muito dura na vida; não existe nada comparável. Você não imagina como é. Nem quando tem 30 anos, nem aos 40, nem aos 50. O que não poderia passar por sua cabeça é que o tempo acaba, que você já não sabe quantos anos lhe restam, se são cinco, se são seis. Você sabe que já não serão 20. Você chegou ao fundo. E depois, há as perdas. Um amigo meu morreu ontem. Primeiro você perde seus avós; depois, seus pais. Agora perde seus amigos. É muito duro. Além disso tudo, quando o tempo acaba, você vai perdendo suas faculdades. A memória -a possibilidade de perder a memória me apavora.

PERGUNTA - Ainda assim, em "Fantasma Sai de Cena", o sr. identifica vantagens no envelhecimento...

ROTH - Vantagens? Não, em meu livro não atribuo nenhuma vantagem à velhice.

PERGUNTA - Bem, quando o sr. diz que as últimas grandes respostas esperam ao final.

ROTH - Ok, mas isso não é uma vantagem. É a vida. Não se iluda a esse respeito.
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